Crise na Educação, de Hannah Arendt: continuidade e ruptura com as as teorias pedagógicas dos séculos dezoito e dezenove.

Daiane Eccel

Resumo


Neste artigo, proponho-me a discutir a questão do suposto conservadorismo de Arendt no texto Crise na Educação sob um outro viés: traçarei comparações entre o diagnóstico arendtiano a respeito da educação e as teses de Immanuel Kant sobre a pedagogia. Para este último, a autonomia só é conquistada a partir de um direcionamento e mediação forte por parte do adulto. Mesmo que a finalidade da educação seja a liberdade, ela se dá por meio da autoridade, como em Arendt. Para além disso, um dos princípios kantianos fundamentais no que diz respeito à educação, baseia-se na ideia de responsabilidade com as futuras gerações, o que corresponde em parte à ideia arendtiana de amor ao mundo e a permanência dele. Também trataremos das limitações dessa possível fundamentação que ficam por conta do conflito que Arendt estabelece com Jean-Jacques Rousseau, influenciador direto de Kant em suas ideias sobre educação.  


Palavras-chave


Hannah Arendt; Immanuel Kant; crise na educação; autoridade

Texto completo:

PDF

Referências


ALMEIDA, Vanessa S. de. Educação em Hannah Arendt: entre o mundo deserto e o amor ao mundo. São Paulo: Cortez, 2011.

ASSMANN, Selvino J. Sobre a política e a pedagogia em Rousseau (é possível ser homem e ser cidadão?). In Perspectiva, v.6, 1988, p.22-45.

ARENDT, Hannah. Review of Hans Weil, The Emergence of the German Principle of “Bildung”. In: ARENDT, Hannah. Reflections on Literature and Culture. Stanford; California: Stanford University Press, 2007. p. 24-30.

________________. Responsabilidade e julgamento. Trad.:Rosaura Einchenberg . São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

________________. A Condição Humana. 11. ed. Tradução: Roberto Raposo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.

__________________. Sobre a revolução. Trad.: Denise Bottmann São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

________________. Entre o Passado e o Futuro. São Paulo, Perspectiva: 2016.

________________. O Iluminismo e a Questão Judaica. In: ARENDT, Hannah. Escritos Judaicos. Tradução: Laura Mascaro, Luciana Oliveira e Thiago D. da Silva. Barueri: Amarilys, 2016. p. 111-132.

CANOVAN, Margareth. Hannah Arendt as a Conservative Thinker. In MAY, Larry; KOJN, Jerome (org). Hannah Arendt: twenty years later. Massachusetts: The Mit Press, 1996, p.11-32.

CARVALHO, José Sérgio Fonseca de. Os Ideais de Formação Humanista e o Sentido da Experiência Escolar. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 32, n. 114, p. 1023-1034, 2016.

CARVALHO, José Sérgio Fonseca de. Educação, uma herança sem testamento: diálogos com o pensamento de Hannah Arendt. São Paulo: Editora Perspectiva, 2017.

_______________________________; CUSTÓDIO, Crislei de O. (org). Hannah Arendt: a crise na educação e o mundo moderno. São Paulo: Fapesp, Intermeios, 2017.

CORREIA, Adriano. Educação, natalidade a amor ao mundo em Hannah Arendt. In CARVALHO José Sérgio F. de ; CUSTÓDIO, Crislei de O. (org). Hannah Arendt: a crise na educação e o mundo moderno. São Paulo: Fapesp, Intermeios, 2017, p.155-166.

CURTIS, Kimberley. Multicultural Education and Arendtian Conservatism: on memory, historical injury, and our sense of the common. In: GORDON, Mordechai (Org.). Hannah Arendt and Education: renewing our common world. Boulder: Westview Press, 2001, p. 127-152.

DALBOSCO, Claudio A. Uma leitura não-tradicional de Johann Friedrich Herbart: autogoverno pedagógico e posição ativa do educando. In Educação e Pesquisa, 44, 2018, e182622. https://doi.org/10.1590/s1678-4634201844182622

__________________________. Condição infantil e autoridade amorosa em Johann Friedrich Herbart. In Educação e Realidade, v. 43, n.3, 2018, p. 1131-1146.

DEWEY, John. Experiência e educação. São Paulo: Nacional, 1959.

___________. Democracia e educação. São Paulo: Nacional, 1979.

ECCEL, Daiane. Entre a conservação da memória e a possibilidade de novas fundações: o permanece da tradição em Hannah Arendt: In Conjectura: Filosofia da Educação, v. 23, p. 267-286, 2018.

__________. O Problema da Formação nos Escritos de Juventude de Hannah Arendt: uma investigação sobre a Bildung. In Educação e Realidade, v. 44, p. 100-116, 2019.

GORDON, Mordechai. Hannah Arendt on Authority: Conservatism in Education Reconsidered. In GORDON, Mordechai. Hannah Arendt on Education: renewing our common world, 2001, p. 37-66.

HERBART, Johan F. Pedagogia geral. 3 ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2010.

HEUER, W. Jean-Jacques Rousseau. In HEUER, Wolfgang (Org.) Hannah Arendt Handbuch: Leben-Werk-Wirkung. Stuttgart; Weimar: Metzler, 2011, p.320-322.

KANT, Immanuel. Sobre a pedagogia. São Paulo: Unimep,1999.

______________. Resposta à questão: O que é Esclarecimento? In Cognitio, v.13, n.1. Trad. Márcio Pugliesi, 2012, p.145-154.

KLEIN, Joel T. Resposta Kantiana à pergunta: que é o Esclarecimento. In Ethic@. V.8, n.2, 2009, p.211-227.

MADRID, Núria S. A civilização como destino: Kant e as formas de reflexão. Florianópolis: Nefiponline, 2016.

PORCEL, Beatriz. Chaves de uma crise: Arendt o problema da educação. In CARVALHO, José Sergio F. de; CUSTÓDIO, Crislei de O. (org). Hannah Arendt: a crise na educação e o mundo moderno. São Paulo: Fapesp, Intermeios, 2017, p.71-80.

REICHENBACH, Roland. Pädagogische Autorität. Stuttgart: Kohlhammer, 2011.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da Educação. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992.

SANTOS, Leonel R. dos. A educação, suas tarefas e seus paradoxos, segundo Kant, 2016. In HARDT, Lúcia S.; MOURA, Rosana da Silva (org). Filosofias da educação: entre devires, interrupções e aberturas. Blumenau: Edifurb, 2016, p. 21-60. aulo: Perspectiva, 2005

SCHIO, Sônia M. Hannah Arendt: educação grega ou romana? In Argumentos: revista de Filosofia, n.9, 2013, p. 205-215.

SCHUTZ, Aaron. Contesting Utopianism: Hannah Arendt and the Tensions of Democratic Education. In GORDON, Mordechai. Hannah Arendt on Education: renewing our common world, 2001, p. 93-127.

SMITH, Stacy. Education for Judgment: An Arendtian Oxymoron? In Hannah Arendt on Education: renewing our common world, 2001, p. 67-92.

TORKLÉ, René. Philosophische Bildung und politische Urteilskraft: Hannah Arendts Kant-Rezeption und ihre didaktische Bedeutung. Freiburg, München: Karl Alber, 2015.

YOUNG-BRUEHL, Elisabeth. Por Amor ao Mundo: a vida e a obra de Hannah Arendt. Tradução: Antônio Trânsito. Rio de Janeiro: Relume – Dumará, 1997.




DOI: https://doi.org/10.26694/ca.v1i1.11023

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Endereço / Email:
Universidade Federal do Piauí, PET-Filosofia, Centro de Ciências Humanas e Letras, Campus Min. Petrônio Portela,
CEP 64.049-550,  Teresina - PI, Fone: (86) 3237 1134  E-mail: nupha.ufpi@gmail.com